terça-feira, 8 de outubro de 2013

Ciencia e fé em Harmonia.




Robin Smith, da NeoStem, e monsenhor Tomasz Trafny: Vaticano e cientistas, juntos pelas células-tronco
O monsenhor Tomasz Trafny (ao centro), a dra. Robin Smith e o dr. Max Gomez apresentam ao papa Bento XVI o livro "The healing cell", em junho de 2012. (Foto: Divulgação/NeoStem, Inc.) O monsenhor Tomasz Trafny (ao centro), a dra. Robin Smith e o dr. Max Gomez apresentam ao papa Bento XVI o livro “The healing cell”, em junho de 2012. (Foto: Divulgação/NeoStem, Inc.)

 Acreditem ou não, passou completamente batido por mim o quinto aniversário do Tubo de Ensaio, comemorado no início de setembro. E olhem que sou bom com datas! Em minha defesa, posso dizer que o “jubileu de madeira” do Tubo se deu exatamente enquanto eu estava na Inglaterra. A minha intenção para o aniversário era publicar um material especial: esta entrevista que está abaixo. A dra. Robin Smith, CEO da NeoStem, empresa do ramo de terapia celular, e o monsenhor Tomasz Trafny, chefe do departamento de ciência e fé do Vaticano, conversaram comigo, por telefone, da sede da NeoStem em Nova York, algumas semanas atrás. A empresa e o Vaticano estão juntos desde maio de 2010, em uma parceria assinada entre a Stem for Life Foundation (o braço caritativo da NeoStem) e o STOQ Internacional, projeto que começou com várias universidades católicas colaborando na pesquisa sobre ciência e fé, e que depois foi “encampado” pelo Vaticano por meio do Pontifício Conselho para a Cultura. A parceria tem o objetivo de promover a pesquisa com células-tronco adultas, em consonância com os valores de respeito à vida humana desde a concepção tão caros à Igreja Católica. Além do impulso à pesquisa, a parceria já rendeu um livro e dois congressos realizados no Vaticano. Este é um exemplo acabado de cooperação entre ciência e religião, e, permitam-me dizer, uma bela resposta aos que acusam a Igreja Católica de ser insensível ao sofrimento de doentes cuja esperança está nas terapias celulares. Confiram a íntegra da nossa conversa; uma versão mais curta foi publicada no caderno Mundo, da Gazeta do Povo de hoje:


Como se produziu uma parceria como esta, que muitos veem como incomum?

Mons. Trafny: Normalmente os departamentos do Vaticano não estabelecem parcerias com companhias privadas. Mas queríamos explorar algumas questões específicas, como o potencial das células-tronco adultas, o que exigia uma colaboração mais próxima não só com quem tivesse expertise no tema, mas que também pudesse ajudar com recursos. Então, em vez de fazer isso nós mesmos, pedimos conselho a pessoas que estão na linha de frente da pesquisa e das descobertas nesse ramo. O motivo pelo qual começamos a trabalhar com a NeoStem é o fato de que buscávamos não apenas um parceiro qualquer, mas um parceiro que cumprisse alguns requisitos que tínhamos. Você sabe que temos algumas exigências de nível ético; buscávamos parceiros que compartilhassem da nossa visão, não apenas do ponto de vista científico, mas principalmente do ponto de vista moral. Em primeiro lugar, eles têm uma plataforma ética muito clara: nunca fizeram pesquisa com embriões, e nem querem fazê-lo. Em segundo lugar, é muito importante o fato de eles compartilharem conosco o interesse em um tema muito específico que estamos explorando: o potencial impacto cultural da pesquisa com células-tronco na medicina. É muito difícil encontrar universidades ou instituições que vão além da pesquisa técnica e estejam interessadas nas implicações culturais de seu trabalho. Por muito tempo buscamos quem o fizesse, e encontramos isso na NeoStem. Eles estão muito bem qualificados como pesquisadores, compartilham nosso interesse cultural e têm princípios éticos claros.

Robin Smith: Quando as pessoas falam de células-tronco, frequentemente há confusão. A maioria pensa de imediato nas células embrionárias porque, durante boa parte dos anos 90, a imprensa priorizou a controvérsia criada pelo debate sobre a pesquisa com embriões. Como essa é a única impressão que boa parte do público tem sobre células-tronco, muitos não sabem que as células-tronco adultas são algo diferente, são células retiradas do nosso próprio corpo com nosso consentimento, ou seja, não há implicações éticas associadas ao seu uso. Então, essa parceria entre a Fundação Stem for Life e a STOQ Internacional (ambas entidades sem fins lucrativos), a NeoStem, que é líder no mercado emergente de terapias celulares, e o Pontifício Conselho para a Cultura é única, e a primeira desse gênero. Temos uma tremenda oportunidade de conscientizar uma audiência muito grande sobre a pesquisa científica que vem sendo feita com células-tronco adultas, em que pé estamos atualmente em relação a isso, e quão importantes as terapias celulares em geral serão no futuro. Essa parceria ajuda a espalhar a mensagem de que há uma mudança em curso na medicina, na direção de usar células do nosso próprio corpo para desenvolver terapias que tratem doenças crônicas.

Hoje, quão conscientes os cientistas estão a respeito das questões éticas que envolvem a pesquisa com células-tronco embrionárias?
Robin Smith: Há tantos cientistas brilhantes no mundo, mas, como o dr. John Gurdon mencionou na última conferência que tivemos no Vaticano, ele e muitos de seus colegas provavelmente não consideraram algumas das implicações éticas envolvidas na ciência das células-tronco. Os cientistas costumam focar tanto a parte técnica do seu trabalho que não necessariamente consideram outras questões. Por isso é importante alimentar esse tipo de debate. Quando se tem mais informação, é possível tomar decisões mais embasadas. E, independentemente de quais são suas crenças, entender perspectivas diferentes e respeitar essas diferenças ajuda a levar a ciência adiante.

John Gurdon, aliás, ganhou o Nobel de Medicina por sua pesquisa com células-tronco adultas. Considerando que se fala muito mais da pesquisa e do potencial das células embrionárias, vocês se sentiram “justificados” quando o prêmio foi anunciado?

Mons. Trafny: Quando buscávamos palestrantes para nossa conferência, queríamos os melhores conferencistas que podíamos obter. Convidamos o dr. Gurdon para que pudéssemos ouvi-lo sobre seu trabalho e sobre suas conquistas, e não para esfregar nada na cara de ninguém. Ficamos muito felizes por ele ter aceitado e ter vindo para o evento. Não havia nenhuma ideologia ou segundas intenções por trás do convite, apenas queríamos que ele abordasse os temas relativos à sua pesquisa, e reconhecer sua determinação. Por anos, por décadas, ele acabou isolado por seus colegas, as pessoas não acreditavam em sua pesquisa, mas ele foi muito determinado. Diria que ele foi muito resoluto em seguir aquilo em que acreditava, ser fiel à sua pesquisa, e é assim que se consegue resultados. O Nobel que ele ganhou é o melhor sinal da importância de ter uma boa ideia e ser forte o suficiente para persegui-la, tendo dados suficientes para comprová-la. Foi por isso que o convidamos.
Robin Smith, da NeoStem, está empolgada com a parceria com o Vaticano e a possibilidade de fazer seus colegas cientistas refletirem sobre as implicações éticas e culturais de seu trabalho. Robin Smith, da NeoStem, está empolgada com a parceria com o Vaticano e a possibilidade de fazer seus colegas cientistas refletirem sobre as implicações éticas e culturais de seu trabalho. (Foto: Divulgação/NeoStem, Inc.)

O Vaticano e a NeoStem já têm algum tempo de parceria. Ela chegou a mudar as concepções de cientistas do seu convívio que que ainda podem ver “ciência” e “Vaticano” como entidades que não se misturam?

Robin Smith: Essa tem sido uma colaboração maravilhosa. Temos gerado diálogo entre pesquisadores de vários campos de estudo ao redor do mundo. Estamos focados em nossa missão: educar as pessoas sobre os avanços nas pesquisas com células-tronco adultas e ajudar a levantar recursos para financiar testes clínicos. Também estamos trabalhando com o público estudantil, para que as próximas gerações possam entender o poder e o potencial da terapia celular. Nossa parceria fez a discussão avançar – estamos encorajando o diálogo aberto e a colaboração para fazer a tecnologia avançar, tanto por meio do livro The Healing Cell: How the Greatest Revolution in Medical History is Changing Your Life, que o monsenhor Trafny, o dr. Max Gomez e eu escrevemos, quanto por meio de outras iniciativas educacionais.

Como poderíamos resumir, até agora, o que foi conseguido com a pesquisa com células-tronco adultas? Que terapias já estão disponíveis para humanos, e quais podem se tornar realidade num futuro próximo?

Robin Smith: Há 4,7 mil testes clínicos em curso que usam terapias com células-tronco adultas, e percebemos o ânimo entre os colegas à medida que mais e mais dados são publicados em revistas acadêmicas, mostrando o avanço das tecnologias celulares. Acreditamos que, se você olhar para a indústria como um todo, conseguirá ver um grande progresso sendo feito. Por exemplo, na medicina cardiovascular há uma grande empolgação com as possíveis terapias. Há alguns produtos de terapia celular já aprovados em ortopedia, como o Carticel, da Genzyme, para a indústria de cartilagens articulares. Para mim, os dados mostram a animação em torno dos avanços em várias frentes clínicas, e esperamos ver ainda mais disso no futuro.

A pesquisa com embriões pode dar resultados similares no futuro, ou mais cedo ou mais tarde chegará a um beco sem saída?

Mons. Trafny: Não sabemos. É até possível que a pesquisa com células-tronco embrionárias dê resultados, mas a verdadeira questão é se é correto fazer tudo o que seja tecnicamente possível. E estamos fazendo essa pergunta aos cientistas. Claro que muitos não compartilham da sensibilidade moral e ética dos cristãos e dos católicos nesse tema específico, mas de qualquer forma as pessoas deveriam pensar sobre as potenciais consequências de agredir a vida humana. Se não temos nenhum limite, que diferença faz destruir a vida em seu início, ou no meio, ou no fim? Então, há coisas que, de um ponto de vista meramente técnico-científico, são possíveis, como usar embriões em pesquisa, mas queremos que a sociedade pergunte a si mesma se podemos fazer isso, de um ponto de vista moral. Essa é a questão.

Quando falamos de bioética, qual é a sua visão sobre a relação entre ciência e fé? Quais os limites para a ação de igrejas e grupos religiosos na esfera pública? Eles poderiam, por exemplo, pressionar por uma legislação restritiva em relação a práticas como o aborto, a eutanásia ou a pesquisa com embriões?

Mons. Trafny: A sociedade ocidental foi construída sobre a ética cristã, e isso é algo que mesmo não católicos reconhecem. Há um livro maravilhoso de outro prêmio Nobel, Richard Feynman, chamado The meaning of it all, uma coleção de palestras que ele deu na Universidade de Washington. Ele diz que temos de reconhecer que a ética cristã é um dos grandes patrimônios que temos, e que nas sociedades ocidentais é sob a lógica da ética cristã que agimos. Então, se tudo está construído sobre essa base, é natural que os cristãos levantem questões éticas, inclusive em relação a avanços científicos. Não nos esqueçamos de que pessoas como J. Robert Oppenheimer e o próprio Feynman trabalharam no desenvolvimento da bomba atômica e depois perceberam quão nocivo e eticamente questionável era o seu trabalho. Nós deveríamos ter o direito de levantar questões morais e trazê-las para a esfera pública.

Robin Smith: Para a ciência avançar, precisamos respeitar as crenças das pessoas, sejam elas religiosas, éticas ou de alguma outra natureza. É importante considerar as diferentes perspectivas. Mas, no fim, acreditamos que é o potencial de combater o sofrimento e as doenças crônicas que vai convencer as pessoas e nos ajudar a levar adiante a pesquisa com células-tronco. E, embora essa seja uma parceria com a Igreja Católica, esse potencial deveria ser compreendido por todos, independentemente de filiação religiosa. Eu mesmo sou judia, mas me concentro no que podemos fazer para melhorar a humanidade e reduzir o sofrimento causado pela doença.

Como essa parceria afetou a sua visão pessoal sobre o modo como a Igreja Católica vê a ciência?

Robin Smith: É incrível ver como o Vaticano e o Pontifício Conselho para a Cultura têm sido tão abertos a ajudar as pessoas a entender a ciência, o valor de apoiar uma ciência ética, e o impacto cultural que as ciências terão no futuro. Para mim, tem sido um aprendizado em múltiplos níveis, especialmente em relação à capacidade que a Igreja Católica tem para influenciar a percepção das pessoas. Também aprendi muito sobre a importância da parceria com vários cientistas em todo o mundo para ajudá-los a compreender o valor de uma ciência feita eticamente, o impacto cultural dos avanços que vemos hoje, e o poder desses avanços para o futuro.
O monsenhor Tomasz Trafny defende o direito dos cristãos de levar à esfera pública questionamentos éticos sobre práticas científicas. O monsenhor Tomasz Trafny defende o direito dos cristãos de levar à esfera pública questionamentos éticos sobre práticas científicas. (Foto: Claudio Martinez)

A última conferência sobre o tema no Vaticano não incluiu nenhum encontro com o papa Francisco, e também não houve nenhuma mensagem por parte dele aos participantes do encontro, ao contrário do que Bento XVI havia feito na primeira conferência. Vocês já tiveram a chance de encontrar o pontífice e conversar com ele sobre esses temas?

Mons. Trafny: Como você sabe, quando realizamos a conferência o papa Francisco tinha acabado de ser eleito, e seria muito difícil reorganizar a agenda dele e nossa. Mas o cardeal Gianfranco Ravasi [presidente do Pontifício Conselho para a Cultura] prometeu manter o papa informado sobre todos os desdobramentos. Estamos preparando um documento pós-conferência para levar ao Santo Padre, e obviamente queremos encontrá-lo e ouvir suas palavras e seu conselho sobre como deveríamos agir e sobre o que ele tem em mente em relação ao que há de mais importante para fazermos. Sabemos que ele é bem aberto e esperamos estar com ele em breve não só para apresentar o que fizemos, mas também o que pretendemos fazer.

Suponho que as expectativas são altas, quando se fala do papa Francisco e de bioética…
Mons. Trafny: (risos) Quando estamos falando de um papa, não é tanto sobre ter expectativas, mas sobre seguir seu ensinamento e prestar atenção a suas declarações sobre o valor da vida humana e sobre a situação dramática daqueles que são afetados por diversas formas de sofrimento. Todos sabemos que ele tem uma sensibilidade especial em relação aos que sofrem. Desse ponto de vista, acho que o papa vai não apenas apoiar nossa iniciativa, mas também dará ótimos conselhos e apontar direções concretas para tomarmos.

Em junho de 2012 vocês encontraram o papa Bento XVI. Como descreveriam o interesse do papa emérito pela ciência?

Mons. Trafny: O papa Bento é um grande teólogo, e ele precisou lidar por anos com essas questões relativas a pesquisa com células-tronco embrionárias e adultas quando foi prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Então, creio que para ele era natural apoiar a pesquisa com células-tronco adultas e nossa iniciativa porque ele estava muito consciente das implicações morais e éticas da pesquisa com embriões. Para ele, era fácil entender e se envolver com a questão. Como você sabe, o papa Francisco, por outro lado, vem de um ambiente mais pastoral, então levará um tempo para que ele se inteire das questões mais específicas, às vezes acadêmicas, mas que também têm um profundo impacto pastoral, moral e social.
Quais são as próximas etapas dessa parceria? Há a possibilidade de incluir outros grupos religiosos que também se interessam pela pesquisa com células-tronco adultas, ou estabelecer novas iniciativas?

Robin Smith: Certamente! Essa parceria é um grande modelo sobre o qual podemos construir ainda mais, com outros grupos, para ajudar a espalhar nossa mensagem. Como disse antes, estamos trabalhando em uma iniciativa global com o objetivo de fomentar a educação e as terapias celulares com a pesquisa com células-tronco adultas.

Mons. Trafny: Claro que queremos agir globalmente, e precisamos começar de algum lugar. O passo importante é reunir pessoas, e fazer com que nossos padres e bispos entendam o potencial da medicina regenerativa e da pesquisa com células-tronco. A conferência de abril serviu para isso; identificamos pessoas e pedimos que elas colaborassem conosco nisso. Agora, o próximo passo é chegar aos estudantes. Estamos organizando eventos, incluindo programas de “estudantes-embaixadores” e convidando alunos de várias universidades para participar das conferências. Estamos pensando em como atrair mais pessoas desse nível que desejem se envolver com nosso trabalho, então seguimos convidando universidades e pedindo que elas enviem alunos para fazer parte disso, de modo que tenhamos um bom padrão de ensino para os jovens. A partir disso, gostaríamos de expandir nossa atuação pública.

Robin Smith: Estamos conversando com educadores e universidades em todo o mundo para criar uma rede que inclua de cientistas a líderes religiosos, homens de negócios, ministros da Saúde e políticos. Queremos estabelecer um ponto focal para uma rede mundial de colaboradores. Começamos a fazer isso com nossa primeira conferência, em novembro de 2011, e expandimos o trabalho em abril deste ano, com a segunda conferência. Atraímos muitos cientistas, jornalistas de ponta como Meredith Vieira e Bill Hemmer, bem como políticos e desenvolvedores de políticas públicas, que vieram e discutiram por três dias sobre todas as diferentes perspectivas e os avanços científicos nessa área. Agora, essas pessoas estão ajudando a ampliar nossa rede e ela seguirá crescendo com cada atividade que organizarmos. Por isso publicamos The healing cell, com um prefácio do papa Bento XVI. Estamos mostrando ao mundo como a medicina do futuro começa hoje.
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Entrevista: doutor em Bioética fala dos dilemas da reprodução assistida


Na Gazeta do Povo deste sábado foi publicada um trecho da entrevista que fiz com o doutor em Bioética Mario Antonio Sanches, um dos palestrantes do Seminário Arquidiocesano de Valorização e Promoção da Vida, que ocorre neste domingo, na PUCPR. Confiram abaixo a íntegra do texto:
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Professor Mario Antônio Sanches e seu novo livro, "Reprodução Assistida e Bioética- Metaparentalidade" (foto: Daniel Castellano / Gazeta do Povo Professor Mario Antônio Sanches e seu novo livro, “Reprodução Assistida e Bioética- Metaparentalidade” (foto: Daniel Castellano / Gazeta do Povo


Dilemas éticos da reprodução assistida
Doutor em Bioética lança livro sobre as consequências da fertilização artificial na experiência da paternidade

As mudanças na experiência da paternidade causadas pelas técnicas de reprodução assistida são o foco do último livro do professor Mario Antônio Sanches, teólogo, doutor em Bioética, e coordenador do mestrado em Bioética da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Sanches adiantou à Gazeta do Povo um pouco do que dirá na palestra de lançamento da obra “Reprodução Assistida e Bioética – Metaparentalidade” que ocorre neste domingo, às 8h, durante Seminário Arquidiocesano de Valorização e Promoção da Vida, na PUCPR.

O que é “metaparentalidade” ?
É um neologismo que mostra como a parentalidade, que é o ser pai e mãe naturalmente, é transformada na reprodução assistida. A parentalidade natural é um tanto aleatória e começa na intimidade do casal. Na reprodução assistida ela ocorre no consultório médico, no laboratório e vira assunto de profissionais. Não envolve apenas o casal, agora entra o psicólogo, o juiz, o advogado, o embriólogo, o farmacêutico. O problema é que em meio a tudo isso, ocorrem alguns atropelos, porque os casais que buscam essa alternativa nem sempre tomam a decisão de forma totalmente livre e consciente do processo.

Que tipo de pressão há sobre quem busca essa alternativa ?
Às vezes o casal nem quer filhos tanto assim, e é a família que insiste para que tenham. Outras vezes um cônjuge está disposto a fazer tudo e pagar qualquer preço, mas o outro prefere definir limites. Mas há também uma enorme influência econômica que vê esses casais apenas como clientes em potencial.

Como julgar eticamente essa nova realidade ?
Acho que a ética da reprodução assistida deve partir do princípio de que o pacote de técnicas que estão disponíveis não devem atropelar o meu projeto de vida. Se não a gente inverte a ordem das coisas. As pessoas acabam desenhando um projeto de vida a partir daquilo que a técnica oferece. Você não faz uma cirurgia cardíaca só porque está disponível, por exemplo. A técnica é um apoio, não pode ser o ponto de partida.

Há abusos nessa área ?
No campo da reprodução assistida há muita gente lucrando. Claro que há clínicas sérias, que pedem acompanhamento psicológico antes da tomada de decisão sobre o tratamento, mas há outras que iniciam o tratamento no dia seguinte ao pedido, mesmo que o casal não conheça todas as consequências do processo. Um exemplo é a possibilidade de sobra de embriões fertilizados, que ficarão no laboratório. E se o casal alegar motivos de consciência para não aceitar essa possibilidade ? Eles precisam saber desse risco. É aí que você percebe que a economia está atropelando os projetos de vida das pessoas.
Eu fiz uma pesquisa na Espanha e lá há um relatório da Sociedade Espanhola de Fertilidade no qual é mostrado que a cada bebê que nasce por reprodução assistida são fertilizados 14 embriões, em média. Será que os casais que buscam essa alternativa sabem o que ocorre com os outros ?

No ano passado ficou famoso o caso de uma menina brasileira que foi selecionada geneticamente para ser compatível com a irmã, que sofria de uma doença rara e precisava de células saudáveis que viriam do bebê. A Bioética tem refletido sobre casos como esse ?
É o tipo de caso no qual nós temos muitas questões complexas. A questão moral mais grave é que se produzem vários embriões. Então é feito um PGD (Diagnóstico Genético Pré-Implantacional) para identificar qual é o embrião compatível com aquela criança que eu quero salvar, e os que não são compatíveis são descartados. O problema começa por aí.
Depois nós já entramos em outro problema, e isso vai além da reflexão cristã. A filosofia kantiana já diz que cada ser humano deve ser visto como um fim em si mesmo. É a questão da autonomia, ninguém pode ser manipulado. Então, se eu produzo um embrião para tirar células e salvar terceiros, esse que está nascendo está sendo instrumentalizado. E aí ocorre aquele problema mostrado em alguns filmes no qual chega um ponto em que a criança gerada diz “não quero mais”.
Imagine o que é para uma criança saber que a mãe só o planejou para que fosse um instrumento para salvar o outro filho. Percebe quantos problemas psicológicos surgem desse processo ? Chega um ponto em que a criança não quer ser mais instrumentalizada. A criança acaba correndo um enorme risco de não ser amada por si mesma.
A gente compreende a dor dos pais que tem um bebê de 3 ou 4 anos e vai morrer. No desespero cria-se uma terapia que, na verdade, gera outro problema. É a pressa, o desepero. Claro que esses casais não podem ser condenados, mas percebe-se que se cometeu um exagero.

O senhor também é teólogo e o evento do qual participará pretende apresentar o que a Igreja tem a dizer sobre o tema. A posição católica sobre aborto e células-tronco embrionárias é bem conhecida, mas questão de reprodução assistida me parece menos comentada. O que a Igreja diz a respeito ?
Temos dois documentos da Igreja que abordaram a problemática. Um deles é chamado Donum Vitae, que é de 1987, e outro de 2008 que é o Dignitas Personae.
A Igreja defende a perfeita união entre o ato conjugal e a reprodução, chamados de ato unitivo e ato procriativo. Essa é o contexto de reprodução ideal para Igreja Católica, portanto ela não aconselha nenhuma reprodução que quebre essa unidade. E a Igreja entende que a reprodução assistida quebra essa unidade, porque a reprodução não ocorreu pelo ato sexual. Os gametas foram retirados do marido e da mulher e, pela fertilização in vitro, foram fertilizados fora do corpo. Essa prática não é aceita, mesmo que seja homóloga, e que os gametas venham do próprio casal.
Entretanto, os próprios documentos fazem uma gradação, mostram que há problemas mais graves do que outros. O fato da fertilização se dar fora do corpo já não é aceitável, mas o problema é mais grave quando os gametas são de terceiros . Nessa situação a Igreja fala da quebra da unidade genética do casal. Isso ocorre, por exemplo, quando a mulher é fertilizada pelo sêmen que veio de um banco de sêmen, e não do seu cônjuge.
Depois, a Igreja alerta sobre a possibilidade de colocar o embrião em risco de vida. Ela defende a dignidade do embrião humano, e essa dignidade trás uma problemática maior, porque o descarte de embriões é muito próximo da questão moral do aborto.
Outro exemplo é, como citamos, a seleção embrionária, que descarta embriões considerados incompatíveis geneticamente. Então o posicionamento da Igreja vai tendo nuances mais ou menos severos. Como tudo em bioética, a Igreja recomenda que se dê muita atenção às particularidades de cada caso.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

entrevista Maya Felix ex Petista: Marxismo e PT é uma religião demoníaca

Jesus Cristo é simplesmente maravilhoso, sobrenatural e Salvador! Ele nos resgata literalmente do lixo e do esgoto para nos levar aos Seus braços. Tenho o privilégio de entrevistar hoje Maya Felix, que tem uma trajetória de vida na esquerda que foi desde o PCdoB, PT até o Movimento Evangélico Progressista, fundado pelo bispo anglicano marxista Robinson Cavalcanti.
Maya Felix
A entrevista dela é uma inspiração para jovens que se encontram confusos e desorientados no mar de desinformação esquerdista dentro e fora das igrejas. Recomendo essa entrevista formidável e imperdível a todos.
Julio Severo: Poderia fazer uma apresentação de sua vida como cristã e atuação como blogueira?
Maya Felix: Sou cristã desde 1992, converti-me aos 21 anos, em Brasília. Apesar de ter sido criada em família evangélica (minha avó materna, que me evangelizou desde o berço, graças a Deus), cresci em um lar instável, meus pais se divorciaram quando eu tinha cinco anos e nenhum dos dois dava importância à relação com Deus. Desde pequena ouvia Chico Buarque, Caetano Veloso, Geraldo Vandré e nomes da MPB que se identificavam e se identificam com a esquerda. Desde muito jovem tinha vida político-partidária, e aos 17 anos me filiei ao PC do B. No partido, ouvia muitas piadas sobre Jesus, e isso me incomodava bastante, pois mesmo não sendo cristã eu tinha aprendido a temer e respeitar o nome do Senhor. Por conta de minha história de vida, muito ligada a conceitos equivocados de “liberdade”, “amor” e “verdade”, a mudança em minha vida não foi imediata. Deus fez seu trabalho ao longo dos anos, com muita paciência, com amor, como um artesão, um ourives, um artista. Quando me lembro de quem eu era, de como eu era (não que hoje seja perfeita, mas estou bem melhor que antes), eu me pergunto como Deus pôde me amar antes que eu o conhecesse. Eu não teria me amado. Aliás, eu não me amava. Foi Deus quem me amou primeiro. Meu blog (http://mayafelix.blogspot.com/) surgiu por volta de 2006, como uma brincadeira, e na época eu estava ainda confusa quanto a questões ideológicas. Eu sabia que queria Deus, mas achava que poderia encontrá-lo conciliando militância esquerdista e conceitos liberais com a prática cristã. Com o tempo, percebi que isso era impossível e o blog refletiu essa mudança. Quando fui fazer meu doutorado, em 2008, tive que deixar o blog um pouco de lado. Hoje em dia, tendo em vista minhas atividades profissionais, de tempos em tempos escrevo textos na área de política para o Blog da União de Blogueiros Evangélicos e os republico em meu blog. Mas a ideia de retirar o blog da internet nem passa pela minha cabeça.
Julio Severo: Como você conheceu o Movimento Evangélico Progressista (MEP)?
Maya Felix: Conheci o MEP porque era filiada ao PT. Aos 17 anos, filiei-me ao PC do B (uma ficha de filiação nem mesmo registrada no TRF, já que aos 17 anos, na época, eu não poderia me filiar a um partido), mas aos 19 anos eu me desfiliei e me filiei ao PT, já que na Universidade em que eu estudava eu me aproximei bastante de estudantes filiados ao PT, ligados ao movimento estudantil. Aos 21, eu me converti, e aos 22, 23 anos eu comecei a conhecer evangélicos petistas dentro do PT. Tive contato, inicialmente, com pessoas ligadas a uma igreja batista, um senhor que na época era deputado distrital e hoje continua a ser, o Wasny de Roure. Fiz campanha para ele na igreja da qual era membro, na época, a metodista. Todos se lembram de mim panfletando na porta da Igreja, para eleger Wasny de Roure e Lula. Wasny de Roure era (e acho que ainda é) ligado ao MEP. 
Julio Severo: Quem fazia parte do MEP? Quem você conheceu ali?
Maya Felix: No MEP eu conheci pessoas do PT, pastores de esquerda, evangélicos de esquerda, o bispo Robinson Cavalcanti, Marina Silva, Ariovaldo Ramos e a Visão Mundial, o pastor Júlio Borges Filho, da Igreja Cristã de Brasília, que era filiado ao PT também e depois foi assessor do Wasny, Geter Borges, que tinha acabado de chegar da Bahia (salvo engano, acho que ele é da Bahia) para presidir o MEP, a pastora Maria Elisabeth,  a Betinha, na época assessora do deputado distrital do PT Wasny de Roure. Conheci muita gente, mesmo, pessoas de muitas igrejas, a maioria delas não pentecostais. Cheguei a ir ao apartamento do Geter, ele era casado e foi morar, na época, logo que chegou a Brasília, em um apartamento no Setor Sudoeste, em um prédio de três andares já bem próximo do Cruzeiro. 
Julio Severo: Qual era a ligação do MEP e seus líderes com o PT?
Maya Felix: Total. O MEP nasceu para ser o braço evangélico do PT. Trata-se de uma disputa ideológica por hegemonia muito clara. O MEP era também ligado ao CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs). Na verdade, tudo girava em torno de política, de eleições, de conscientização. O MEP deveria ir às igrejas, falar do projeto da esquerda para os cristãos e, sobretudo, divulgar os candidatos evangélicos do PT e unir os evangélicos de esquerda em torno de um projeto comum. Na época, o projeto comum era a eleição do Lula, que era muito mal visto na maioria das igrejas. Cheguei a organizar uma reunião do MEP na Igreja Assembleia de Deus Um Novo Dia, em Brasília, da qual fui membro até 2004, quando me mudei para São Luis. A Marina Silva, na época do PT, proferia palestras no MEP, e depois se tornou membro da Assembleia de Deus um Novo Dia (não sei se ela já era membro em 2001, quando fui para a AD Um Novo Dia). O Ariovaldo Ramos também proferia palestras, divulgava a Visão Mundial e seus projetos. O Robinson Cavalcanti também, assisti a algumas palestras suas. Outra pessoa bastante admirada no MEP é o teólogo Paul Freston, que escreveu “Marxismo e Fé Cristã: o Desafio Mútuo”, editado pela ABU editora (até hoje tenho este livro). O Caio Fábio, antes do escândalo que envolveu sua queda e a decadência da Vinde (com a qual eu contribuía, aliás. Também assinava a revista, tinha a carteirinha etc.), era muito admirado por lá, não sei hoje. (Nota de Julio Severo: Depois da queda de Caio Fábio na década de 1990, o MEP continuou o apoiando. Aliás, numa conferência do MEP realizada no Congresso Nacional sobre ética cristã em 2004, o principal palestrante foi Caio Fábio. O registro da conferência está neste link: http://bit.ly/1aTuB6Y) O Ricardo Gondim idem. 
Julio Severo: Por que você se envolveu com o MEP e com o PT?
Maya Felix: Como eu disse, eu me envolvi com o MEP porque era filiada ao PT e depois, converti-me. Queria poder conciliar a minha fé com a prática partidária de esquerda. Sabia que o PT era a favor do aborto, por exemplo. Eu já fui membro do Coletivo de Mulheres do PT/DF, e na época constava do Programa do Partido (depois, foi retirado) que o aborto era um direito das mulheres e o PT tinha a obrigação de defender a legalização do aborto. Aliás, essa é uma das pautas mais importantes para o grupo de “Mulheres do PT”, do qual fazem parte, de maneira atuante, Marta Suplicy e Benedita da Silva, que é evangélica. Havia a necessidade de atenuar a imagem negativa do PT junto aos evangélicos, sobretudo por conta da Igreja Universal, que em 1989 fazia uma ferrenha campanha contra Lula e o PT, que chegaram a ser identificados com o próprio diabo. Então creio que estrategicamente o MEP surgiu como uma espécie de contra-ataque. Eu fui apresentada ao MEP pela pastora Maria Elisabeth, a Betinha, que é hoje pastora da Igreja Batista Shammah, no Recanto das Emas, em Brasília. Não sei se ela continua filiada ao PT, mas na época ela era. Ela trabalhou durante muitos anos como assessora do dep. do PT Wasny de Roure e era minha amiga. Não tenho nada contra as pessoas, mas creio que a ideologia do MEP é nociva, pois tira Deus do centro. Para quem é de esquerda, seja evangélico ou não, o homem é o centro de tudo. Para os socialistas, o homem pode, sem a ajuda de Deus, aliás, necessariamente sem Deus, construir uma sociedade justa, igualitária, perfeita. Esse é o grande engano do socialismo: colocar o homem no centro. O que pode nascer do homem, e sobretudo, do homem sem Deus? O que vimos e vemos nos regimes socialistas: opressão, repressão, perseguições, crimes, corrupção
Julio Severo: Como foi sua trajetória e saída do PT?
Maya Felix: Eu me filiei ao PT quando era universitária, era do CA de Letras, participava do Conselho de CAs, ia a Congressos da UNE, então era praticamente natural ser filiada a um partido. A atuação dos partidos de esquerda nas universidades é muito forte, os militantes se aproximam dos jovens com bandeiras vistas como modernas, mas que são contrárias à Bíblia: a legalização das drogas, a liberação sexual, a legalização do aborto etc. Os jovens universitários visados para a filiação partidária passam a ter amigos ligados aos partidos, a participar de eventos dos partidos e a defender causas partidárias mesmo não sendo filiados e desconhecendo isso. A filiação é a cereja do bolo, no final das contas. As entidades estudantis quase sempre servem aos partidos, convidam deputados desses partidos para palestras dentro da universidade e na época das eleições, o momento mais importante, fazem campanha para os candidatos desses partidos. E alguns grupos, como a ABU, ligada à Igreja Presbiteriana, são também de esquerda, divulgam ideologias de esquerda e apoiam partidos de esquerda. É algo bastante escancarado, mas, para quem está dentro, não é tão evidente assim. Eu saí do PT em 2006, depois de 15 anos de filiada. E saí porque estava indignada com o Governo do Lula, achava que não estava suficientemente à esquerda. Só que Deus começou a me mostrar de fato que o PT era um lamaçal. As mortes do Celso Daniel e do Toninho do PT, jamais esclarecidas, foram acontecimentos que me fizeram pensar bastante, pois todos sabem que pessoas do próprio PT provavelmente estão ligadas a esses assassinatos. Comecei a ler textos, livros que denunciavam o PT e a esquerda como grandes farsas. Li “O País dos Petralhas”, o primeiro, em 2008, e parece que uma venda foi tirada dos meus olhos. Depois li outras coisas, reli “A Revolução dos Bichos”, 1984, Por que virei à Direita, recentemente li “Le Siècle des Totalitarismes”, do Tzvetan Todorov, que comprei em Paris, e “Le Livre Noir du Communisme”, de vários autores franceses, O “País dos Petralhas II” etc. Quando a gente se dá conta do que é a esquerda como ideologia, como prática, só fica dentro por dois motivos: por completa imbecilidade ou por puro oportunismo. Não há meio termo. Para quem é cristão, as coisas ficam muito mais claras, porque os ideais e tudo o que a esquerda defende são contrários ao Cristianismo. É claro que se você me perguntar se eu sou a favor da justiça, da caridade, contra a corrupção, contra o roubo do dinheiro público, eu vou dizer que sim. Isso não é ideologia de esquerda, é princípio de qualquer pessoa correta. Só que a esquerda usa esses temas como pano de fundo para defender suas verdadeiras bandeiras: liberação das drogas, agenda pró lobby gay, legalização do aborto, controle estatal de absolutamente tudo, repressão aos cristãos etc. E as pessoas só veem o que querem ver: a esquerda é boazinha, luta a favor dos pobres, é contra injustiças etc. Mas essa máscara também já está caindo, graças a Deus.
Julio Severo: O que você enxerga no MEP hoje que você não via anos atrás? Com sua maior maturidade hoje, como você vê sua participação no PT e no MEP?
Maya Felix: Hoje eu vejo que o MEP é apenas mais uma estrutura do PT na busca da hegemonia ideológica. O Geter Borges não tinha um trabalho trivial, ele veio da Bahia e foi imediatamente lotado na Câmara. Ele era assessor (cargo comissionado) em um gabinete de um deputado federal do PT (não sei se era o Nilmário Miranda, agora não tenho certeza) usava as dependências da Câmara dos Deputados para muitas reuniões do MEP, então não dá para dizer que o MEP não era estruturalmente ligado ao PT. O Geter Borges era, na verdade, um secretário-geral do MEP e funcionário do PT, a serviço do PT.
O MEP não busca a Deus, busca as causas da esquerda como uma consequência “prática” e “natural” da condição do cristão. Para os evangélicos do PT, o socialismo é cristão, Jesus foi o primeiro socialista e o céu será comunista. Na época eu não via como isso é de fato uma distorção da Bíblia. Como pode um cristão defender o socialismo, que matou a mata ainda tantos cristãos? É totalmente ilógico, mas os cristãos de esquerda têm uma resposta para tudo. Então, no final das contas, parece mais do que justo e natural que um cristão deva ser, obrigatoriamente, de esquerda. Se eu tivesse tido de fato uma educação mais cristã na minha infância e adolescência, talvez jamais tivesse me envolvido com o PT. A influência do meu pai, que sei que não vê isso como um mal, pelo contrário, sempre me fez ver a esquerda envolvida em uma aura de romantismo e heroísmo. Mas, ao longo da minha vida cristã comecei a ver que a esquerda é sobretudo hipócrita, pois em nome da justiça, da verdade e de um futuro que nunca chegou para nenhum país socialista, permite-se tudo, qualquer corrupção, qualquer desvio. Não há valores absolutos na esquerda, isso quer dizer que vale tudo se é pela causa. Vale mentir, vale enganar, vale corromper. E muitos, até hoje, acreditam nessa balela. O que a esquerda faz? Ela tira Deus do centro da vida do homem e coloca o próprio homem. Isso vem dos ideais iluministas, humanistas, positivistas, que vê o homem não como um pecador, é claro, mas como uma vítima do meio que nasce completamente boa e é corrompida. Tzvetan Todorov, em “Le Siècle des Totalitarismes”, diz que o socialismo é uma religião: tem caráter messiânico, promete um porvir de perfeição, vive pela fé não do que é, mas do que poderia ser (e na verdade, nunca foi). A própria descrição que Marx faz do capitalismo é semelhante ao inferno e, o pior, dá um destino certo ao capitalismo como um ato de fé: sua autodestruição ou a barbárie completa. Sabemos que nem uma coisa nem outra aconteceram, e que o capitalismo, com todos seus defeitos — pois não há sistema humano perfeito — foi o que trouxe evolução tecnológica, científica, o que permitiu a difusão do Cristianismo, o respeito à liberdade de expressão. Mas os esquerdistas são quixotescos, acham que têm a missão de salvar a humanidade, não importa por que meios. Quando a gente enxerga isso, vê que é incompatível com a fé em Jesus. Percebo que minha participação no PT e no MEP me trouxe muita experiência, e eu não desprezo isso. Sem ter vivido o que vivi, jamais poderia dizer o que digo hoje. Se pudesse ter alguma interferência em meu passado, escolheria não ter vivido essa fase, mas não tenho esse poder. Sabemos que todas as coisas contribuem para o bem dos que amam a Deus, então vejo como algo que me fez mais madura e blindada contra uma ideologia de fato demoníaca.
Julio Severo: Por que tantos líderes cristãos, especialmente de expressão calvinista, sempre evitaram se pronunciar publicamente contra o MEP, que sempre teve um número expressivo de reformados e calvinistas?
Maya Felix: Não sei! Aliás, essa é uma pergunta que deve ser feita a eles! Também gostaria de saber. Creio que isso talvez tenha a ver com uma intelectualidade torta, uma erudição que acaba por fugir ao essencial da Bíblia. E com interesses políticos e econômicos, é óbvio! Sem contar que muitos calvinistas (não todos, é claro) rejeitam a obra do Espírito Santo, e isso dá espaço à idolatria intelectualóide, a um sentimento de superioridade que não condiz com quem é servo de Deus. O MEP tem muitos cristãos de igrejas tradicionais, como a Metodista, a Batista, a Presbiteriana, a Anglicana, a Luterana. Você não vai ver no MEP muitos cristãos das Assembleias de Deus (há, mas são poucos, a maioria deles influenciada pela Marina Silva), muito menos da Sara Nossa Terra. Para os evangélicos de esquerda, em geral tradicionais e avessos às manifestações do Espírito Santo, a teologia da prosperidade é pior que o diabo, então há um boicote mútuo — o que não impediu o Robson Rodovalho de apoiar a Dilma Rousseff. A verdade é que é muito difícil conciliar interesses político-eleitorais com a fidelidade a Deus. Quando entra dinheiro na história, então, é praticamente impossível, porque o homem não pode servir a Deus e a Mamon. Há denominações donas de universidades, por exemplo, e é claro que quando há interesses importantes em jogo, a maioria das pessoas escolhe se calar diante do que é errado.
Julio Severo: É verdade que em Paris, na França, você era membro de uma igreja reformada com experiências pentecostais? Como foi sua experiência nessa igreja francesa? O que você aprendeu ali?
Maya Felix: Sim! Eu frequentava a Église Reformée de Belleville, das igrejas reformadas (calvinistas) da França. As pessoas oram com imposição de mãos, ungem com óleo, falam em línguas. O pastor de lá, Serge Jacquemus, é um homem de Deus, erudito, formado em seminário reformado, conhecedor de toda a obra de Calvino. Há alguns anos, ele fez uma viagem pelo Canadá e lá ele teve uma experiência profunda com o Espírito Santo. Depois disso, ele passou a se denominar um “calvinista pentecostal”, pois não podia negar a evidência da atuação do Santo Espírito hoje. Por essa igreja, que mantém missões na África, fui ao Togo em 1997, em viagem missionária, e vi coisas extraordinárias acontecerem. Vi curas milagrosas, de pessoas deformadas fisicamente, coisas instantâneas, exatamente como Jesus faz na Bíblia. Como posso negar o que vejo, o que vivo, o que sinto? Impossível! O site da Igreja é este: http://www.erfbelleville.fr/ O pastor Serge, aliás, escreveu um livro em francês sobre o despertar e o avivamento da Igreja, no qual ele fala do Santo Espírito: http://www.amazon.fr/LEglise-se-pr%C3%A9pare-Serge-Jacquemus/dp/2916539115 Tenho esse livro e entendo que não há nenhuma contradição entre o calvinismo e o avivamento do Espírito Santo. O pastor John Piper, aliás, é um calvinista que também pensa assim.
Julio Severo: O que você diria para cristãos que têm interesse em envolver-se com movimentos evangélicos esquerdistas?
Maya Felix: Eu pediria que examinassem bem as Escrituras, que lessem sobre as experiências socialistas ontem e hoje e que prestassem atenção na maneira como os cristãos são tratados nos regimes socialistas. Na verdade, eu diria apenas uma palavra: FUJAM! 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Senador evangélico corre risco de vida se for entregue ao governo comunista da Bolívia, mas Dilma e o PT não se importam


Em reportagem de Rubens Valente, da Folha de S. Paulo, o senador Roger Pinto Molina, de 53 anos, opositor do marxismo radical do presidente boliviano Evo Morales, falou sobre suas dificuldades com a comunização da Bolívia sob Evo, cujo governo mantém uma relação promíscua com o narcotráfico.
Senador Roger Pinto Molina
Molina chegou a Brasília no dia 24 de agosto, após longa viagem de carro e avião organizada pelo diplomata brasileiro Eduardo Saboia. O senador, que havia pedido asilo em 2012, permaneceu 15 meses encerrado e isolado na Embaixada do Brasil em La Paz, em condições de sub-prisioneiro, sendo-lhe negado até ver a luz do sol — o que seria contrário aos direitos humanos. A operação para tirá-lo da “prisão” na Embaixada contou com a ajuda corajosa do católico Saboia, que disse ter ouvido a voz de Deus para ajudar o senador evangélico boliviano.
A chegada dele ao Brasil deixou Evo e Dilma igualmente irados, pois Saboia atrapalhou os planos brasileiros e bolivianos que estavam aguardando que as péssimas e insuportáveis condições da prisão da embaixada fizessem o senador “voluntariamente” se entregar aos comunistas bolivianos.
O suplício do senador não terminou. Manobras políticas lhe removeram o asilo depois que ele chegou ao Brasil e agora o jogo do PT nos bastidores buscará criar “condições” para que o senador evangélico seja entregue nas garras do comunista Evo.
O péssimo tratamento na Embaixada do Brasil é um aviso: quem se opuser ao marxismo e procurar asilo em embaixadas brasileiras sob o PT comerá o pão que o diabo amassou. O PT não tem dó nem misericórdia de que faz oposição à sua ideologia.
De forma inversa, terroristas e comunistas serão recebidos calorosamente nas embaixadas brasileiras, sendo-lhes garantido asilo e proteção, e o embaixador que mantiver o asilado comunista em isolamente perderá o cargo imediatamente.
O Brasil sob o PT se tornou um país hostil aos verdadeiros perseguidos e hospitaleiro para criminosos.
A seguir, a entrevista do boliviano perseguido Roger Pinto Molina à Folha de S. Paulo:
Sou do departamento de Pando, uma das regiões mais atrasadas da Bolívia. Meu pai era do campo, minha mãe trabalhava em casa, e em algum momento tivemos um pequeno comércio, que foi o que nos permitiu estudar. Era uma pequena mercearia, que vendia alimentos. Trabalhei muito para conseguir estudar. Em minha região não havia uma universidade, então tive que ir para outra cidade. Minha família não tinha condições de pagar uma universidade. Trabalhei no banco Ganadero, na área de crédito, por dez anos.
Tenho uma base cristã de princípios, sou evangélico batista, e sempre entendi que o trabalho social que as igrejas fazem é fundamental.
Fui presidente do tribunal eleitoral, vereador, deputado, depois governador [de Pando], deputado novamente, senador e hoje tenho um mandato até fevereiro de 2015. Ocupei vários cargos, no Senado, deputado, vice-presidente do Senado. O principal foi o chefe da oposição no Senado no último ano.
[O então deputado] Evo Morales era alguém com quem convivi nos primeiros anos no Congresso. Era um amigo, com quem eu podia jogar futebol. E jogamos várias vezes juntos, tenho fotos.
De maneira contínua ele me convidou para participar desse projeto político, ou parte desse projeto. Tínhamos uma visão diferente. Sempre acreditei que o tema da coca fosse a matéria-prima para o narcotráfico e era preciso atacar isso. Ele defendia a coca. Eu acreditava na liberdade, no direito privado, na propriedade das coisas e consciente de que era necessário reduzir a coca.
Quando chegou ao governo, Evo nos convidou de novo ao palácio, umas três ou quatro vezes. Ele queria que fizéssemos parte do seu governo. Nós achamos que era mais importante ajudá-lo nos temas sociais, da luta contra a miséria, com isso nós nos comprometemos.
Mas logo veio um processo de decomposição e violência do governo que atribuo à presença cubana e ao processo de linchamento político.
Depois que Cuba e Venezuela intervieram de forma direta [formando parcerias com o governo], ele teve outro tipo de política e comportamento muito mais agressivos. Então se estabelece como política de seu governo acabar com a oposição. E começa a perseguir de maneira sistemática todos os ex-presidentes, ex-governadores.
Todos os governos de esquerda querem é chegar, mudar a Constituição, adequá-la a eles, porque têm um objetivo, consolidar-se no governo, não importa como.
Nenhum desses governos se vai por vontade própria, de forma democrática. Ou seja, é o modelo chavista-cubano. E claro que nós nos opomos a isso. Queríamos que houvesse um Estado, uma República, que havia que se conservar a constitucionalidade.
O modelo cubano é que o se chama de "segundo paredón". Hoje em dia já não te matam, mas te destroem, te desqualificam e te acusam de maneira sistemática.
No meu caso, começa no ano de 2008, quando o governo leva gente para a minha região e há confrontação e morrem camponeses, como fruto da violência que foi gerada pelo governo.
Eu estava em La Paz, era chefe da oposição. Não tinha nada a ver com o governo departamental.
Não estava nem perto. Tenho uma propriedade na região desde os anos 80, mas ela não foi invadida. Poderia dizer o contrário, mas não seria verdadeiro. Tem 1.150 hectares e umas 650 cabeças de gado. É pequena.
O governo começa a inventar processos de todo tipo. Inventam uma acusação de que eu causei dano ao Estado pela venda de um terreno.
Totalmente falso. Fui condenado à revelia apenas porque empresas destinaram recursos para uma universidade pública, que formou milhares de estudantes.
O juiz que primeiro me julgou disse que deveriam fazer um monumento para mim. Abriram 22 processos. Dez eram por desacato. Havia cerco judicial.
Descobriram-se três ou quatro planos para me assassinar. Detiveram-me por 45 dias, violando a Constituição, em prisão domiciliar. Vêm de maneira mais seguida as ameaças de mortes, chegando a um ponto insuportável. Então se descobre um plano para me sequestrar.
Isso me levou a tomar uma decisão do pedido de asilo. Eu estava atacando os interesses do verdadeiro setor forte do governo Evo Morales, que é o tema da droga.
Hoje em dia, retornar à Bolívia é pouco menos que um suicídio para mim. Se você escuta Morales, como ele fala, o pouco respeito que tem pelas pessoas, tenha a plena segurança de que voltar à Bolívia [para mim] é uma sentença de morte.
O isolamento na embaixada era insuportável. Em algum momento, disse "bom, por que não termino isso de uma vez?". Na primeira vez parece estranho, porque sou cristão. Mas à medida que o tempo passa, isso volta à mente, "seria tão simples e amanhã tudo estaria acabado". Saboia começou a se preocupar. E então ele me disse ter três opções, e a terceira era cumprir os objetivos que havia dito a presidente Dilma [quando da concessão do asilo], que era preservar minha vida.

Revista Veja explica que senador evangélico está sendo perseguido por ter denunciado narcotráfico do governo comunista da Bolívia

VEJA desta semana mostra que embaixador boliviano assumiu o cargo diplomático há um ano com a missão expressa de fazer frente às denúncias contra os narcofuncionários


Jerjes Justiniano, embaixador boliviano no Brasil, atuando para defender interesses financeiros e estatais do narcotráfico de seu país
O motivo primordial da perseguição política que levou o senador Roger Pinto Molina a pedir asilo na Embaixada do Brasil em La Paz foi um dossiê que ele entregou no Palácio Quemado, sede do Executivo boliviano, em março de 2011. O pacote trazia cópias de relatórios escritos por agentes da inteligência da polícia boliviana em que se desnudava a participação de membros do partido do presidente Evo Morales, o Movimento ao Socialismo (MAS), e de funcionários de alto escalão do seu governo no narcotráfico. Alguns desses documentos posteriormente também foram obtidos por VEJA e serviram de base para a reportagem “A República da cocaína”, de 11 de julho de 2012. Neles, afirma-se que o atual ministro da Presidência da Bolívia, Juan Ramón Quintana, e a ex-modelo Jessica Jordan entraram na casa do narcotraficante brasileiro Maximiliano Dorado, em Santa Cruz de la Sierra, no dia 18 de novembro de 2010. Os dois saíram cada um com duas maletas tipo 007. A intenção do senador hoje refugiado no Brasil era que o presidente Morales mandasse investigar as denúncias, e assim contribuísse no combate à indústria da pasta de coca — matéria-prima contrabandeada para o Brasil para a produção de cocaína e crack e à rede de corrupção ligada a ela.
Nenhum suspeito foi interrogado. Em vez disso, Morales iniciou a perseguição ao senador Pinto Molina e nomeou para o posto de embaixador no Brasil o advogado Jerjes Justiniano, que assumiu há um ano com a missão expressa de fazer frente às denúncias contra os narcofuncionários da Bolívia. Morales poderia ter escolhido alguém menos comprometido com o assunto para desempenhar esse trabalho. O filho do embaixador, o também advogado Jerjes Justiniano Atalá, tem entre seus maiores clientes justamente funcionários do governo acusados de narcotráfico. Pior do que isso. Atalá, que no passado dividiu o escritório com o pai, foi o advogado do americano Jacob Ostreicher, que investiu 25 milhões de dólares em plantações de arroz na Bolívia em parceria com a colombiana Cláudia Liliana Rodriguez, sócia e mulher de Maximiliano Dorado. Resumindo a história: o filho do embaixador defendeu o sócio da mulher do traficante brasileiro, aquele que recebeu em sua casa o ministro denunciado por Pinto Molina. Trata-se, no mínimo, de uma coincidência constrangedora para o papel que Justiniano veio desempenhar no Brasil.
Igualmente constrangedor é um vídeo de quatro minutos que mostra o embaixador visitando a fábrica do narcotraficante italiano Dario Tragni, em Santa Cruz de la Sierra, no início de 2010. Na ocasião, Justiniano era candidato ao governo de Santa Cruz pela legenda do presidente Morales. Ele foi derrotado na eleição, que ocorreu em abril. No tour pela fábrica de madeira Sotra, Justiniano percorreu as dependências do local ciceroneado por um Tragni falante e irrequieto. “Esta é uma das máquinas mais produtivas da América Latina”, disse Tragni, apontando para um de seus equipamentos. Justiniano perguntou: “Estão exportando para onde?”. O italiano respondeu orgulhoso que para Espanha, Itália, Estados Unidos e Alemanha. Participou também da visita amigável Carlos Romero, atual ministro do Governo da Bolívia e responsável pela segurança interna do país. O incrível desse episódio é que poucos meses antes, em novembro de 2009, a polícia encontrara na Sotra diversos recipientes com cocaína, somando 2,4 quilos. No quarto de Tragni, foram apreendidos uma balança e um liquidificador com vestígios de cocaína. Um dos conhecidos meios para transportar drogas usado pelos traficantes bolivianos é escondê-las dentro de compensados de madeira para exportação.
Em tempo: em outubro do ano passado, o ator americano Sean Penn foi nomeado por Morales como embaixador mundial da coca. Nem precisava. A Bolívia já tem Jerjes Justiniano despachando em Brasília. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Cresce o número de decepcionados com o Partido dos Trabalhadores ( OU Partido das Trevas)


Bandeiras PT e Foice e Martelo
Cresce o número dos que se dizem decepcionados com o Partido dos Trabalhadores. As manifestações de rua e as páginas dos jornais o atestam com exuberância. O PT do Mensalão, da introdução da Venezuela no Mercosul e das capitulações diante de Evo Morales ter-se-ia tornado fisiológico, oportunista, enganador e, ademais, só preocupado com o avanço da esquerda no mundo, pouco ligando para o interesse público.

Uma decepção inteiramente explicável, mas que repousa sobre um equívoco, a respeito do qual queremos tratar aqui.
O equívoco consiste em achar que houve uma mudança no PT. Não, não houve. O PT nunca foi aquele partido idealista, impoluto, voltado para o bem do País, que a propaganda anunciava. Aqui reside o engano. Explico-me.

Desde sua origem o PT sofre forte influência marxista, que lhe vem tanto da esquerda católica quanto da esquerda leiga que o constituíram. O PT não é nem nunca foi um partido criado para resolver os problemas da vida presente; pelo contrário, seu objetivo é conformar a sociedade e o Estado segundo os ditames teóricos traçados no século XIX por Marx e seus sequazes. Suas ideias sobre a pobreza, a luta de classes, as desigualdades, e tantas outras, recendem ao marxismo mais transato.

Coerente com a doutrina marxista existe a moral marxista – na realidade, a não moral ou imoral – segundo a qual é bom tudo que ajuda a implantar o socialismo, e mau o que impede ou dificulta sua implantação. Apropriar-se dos bens públicos será bom se ajudar a socialização, e manter a palavra dada ou desmenti-la se fará na medida em que favorecer a causa. Perseguir alguém ou favorecê-lo independe de seus méritos pessoais, o importante é saber o que convém mais à causa.
Já o teórico comunista V. Kolbanoski escrevia em 1947: “Só é moral a conduta dos homens baseada na grande luta pela libertação da humanidade de todos os jugos e de quaisquer formas de exploração. [...] Durante a transformação socialista da sociedade, realiza-se entre os homens uma renovação do sistema moral. [...] Ensinar a moral comunista é, antes de tudo, educar os homens soviéticos, a juventude soviética em particular, no espírito de uma dedicação sem limites à causa do comunismo e de abnegação ao serviço da pátria socialista” (A Moral Comunista, Problemas – Revista Mensal de Cultura Política nº 17 – Rio de Janeiro, Fevereiro/Março de 1949).
De acordo com essa lógica, para um petista autêntico, nada do que o PT tem feito é imoral. De modo que o PT não mudou. É o mesmo de sempre, desde que foi articulado pela esquerda católica e a esquerda leiga.

Fica a pergunta: os novos impolutos que estão aparecendo no cenário político serão diferentes?

Um breve histórico da trama para legalizar o aborto no Brasil

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Brasil, um país de todos e de todas?
Se é de todos é também dos que estão nos ventres maternos.

De todas? Em média 50% das crianças abortadas são mulheres!

O argumento mais usado na tentativa de legalizar o aborto é que seria uma defesa dos direitos da mulher.
E a defesa da menina abortada? Onde estão os direitos dela? Onde estão as movimentos feministas agora?
Contrariando as pesquisam que mostram que apenas 3% da população brasileira acha o aborto moralmente aceitável, o  governo Lula decidiu agir assim mesmo, fomentando a maior movimentação pró-aborto da história do Brasil.
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Histórico

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* Em Abril de 2005 o governo Lula comprometeu-se com a ONU, em legalizar o aborto no Brasil.
Registrado no IIº Relatório do Brasil sobre o Tratado de Direitos Civis e Políticos, apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (nº45).
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* Em Agosto de 2005, o governo reconhece o aborto como Direito Humano da Mulher. Entregou ao comitê da ONU para a Eliminação de todas as Formas de Descriminalização contra a Mulher (CEDAW) documento confirma a declaração.
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* Em Setembro de 2005, o governo apresentou ao Congresso o Projeto de Lei 1135/91 de autoria do Dep. José Genoíno, que propõe descriminalizar o aborto até o 9º mês de gestação e por qualquer motivo.
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* Em Setembro de 2007, o PT assumiu a descriminalização do aborto e o atendimento de todos os casos no serviço público, como programa do Partido, sendo o primeiro partido no Brasil a assumir a causa como programa.
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* Em Setembro de 2009 o PT puniu os dois deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso por serem contrários à legalização do aborto.
Com o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, o governo Lula emplacou o discurso: “legalizar o aborto é questão de saúde pública.” Então faço a pergunta: O sistema de saúde que não atende nem as mães que querem dar a vida aos filhos, irá atender as que querem matá-los? A saúde é um caos! Falta hospitais, macas, aparelhos, leitos, remédios, médicos…e agora querem que o sistema de saúde dê aborto seguro à população? É uma piada!
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* Em Fevereiro de 2010 o Partido dos Trabalhadores, o presidente Lula e a então Ministra Dilma Rousseff, firmaram oficialmente, através, inclusive de assinaturas de próprio punho, o apoio incondicional ao 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) no qual se reafirmou a descriminalização do aborto, o controle de imprensa, a retirada de símbolos religiosos das repartições públicas, a união civil homossexual, comissão que privilegie grupos invasores de terra,inclusive terras produtivas, etc…etc…etc…
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* Em junho de 2010 o PT e os aliados boicotaram a criação da CPI do Aborto que investigaria as origens dos financiamentos por parte de organizações internacionais para a legalização e a promoção do aborto no Brasil. Por temerem ser revelado a existência de empresas privadas internacionais que investem para que o aborto seja legalizado no Brasil, entre elas a Fundação Ford, Fundação Rockfeller, Fundação MacArthur, etc.
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O  partido do governo não respeitou a própria constituição do país que declara o direito de todos à vida, não respeitou o Pacto de São José da Costa Rica do qual é signatário, onde se confirma a vida começando na concepção.(obs: o pacto é um compromisso abaixo da constituição, porém, acima das leis)
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* Em Julho de 2010, exatamente dia 16, o governo Lula assinou um documento chamado “Consenso de Brasília” que propõe a liberação completa do aborto para todos os governos da América Latina.
E apesar do nome “Consenso”, ele só representa o consenso entre os próprios promotores do aborto.