terça-feira, 23 de novembro de 2010

A VERDADE DE BENTO XVI

O Papa e a Mídia

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É o Papa falar e a mídia dá o SEU parecer, que nem sempre é o que, de fato, a Igreja disse.

Quando se fala em sexo/reprodução/união, a Igreja é muito clara: o sexo é dentro do casamento, pois cumpre o papel unitivo/procriativo. Por isso a Igreja é contra os métodos contraceptivos, reprodução assistida e aborto. Porque sexo e filhos são coisas próprias de um casamento. Simples assim.

Também é verdade que a Igreja entende que há casos em que o uso do anticoncepcional, por exemplo, pode ser lícito, como no tratamento de doenças no ovário e/ou útero. E ele será lícito enquanto existir para o tratamento. Após, seu uso volta a ser ilícito, porque já não há mais um motivo justo, e sim, injusto, que é impedir que os filhos desejados por Deus venham a este mundo.

Claro que nossa sociedade atual não compreende isto, haja vista viver sob o desejo carnal e sexual.Nossa sociedade está pior que bicho no cio. Por isso a Igreja sempre é alvejada por ataques infundáveis. Poucos compreendem sua preocupação com o bem-estar e a saúde como ela. Contudo, a verdade sempre vem à tona.

Edward Green, diretor do Projeto de Pesquisa e Prevenção da Aids da Escola de Saúde Pública de Harvard, disse à Revista Galileu que o Papa tem razão em instruir à Castidade ao uso de camisinhas, e o que serviu como exemplo foi Uganda, país onde a AIDS cresce absurdamente. Após a política de continência sexual, este país africano é o único onde os números diminuem ano após ano. E em resposta àdesmoralização sexual , o jornalista Peter Seewald lança um livro chamado "Luz do mundo: o Papa, a Igreja e os sinais do tempo", baseado em 20 horas de entrevistas com o atual Papa.

A mídia, é claro, já distorceu tudo. Afirmou, entre outras coisas, que o Papa vê moralidade na prostituição. Nada mais permissivo. Às vezes não sei se a mídia tem problemas sérios de análise discursiva, cognitiva, ou faz tudo de má fé mesmo.

O que importa é que o Papa NÃO DISSE ISSO.

Quer saber o que ele disse?

Clique aqui


Perito vaticano explica postura do Papa sobre preservativos

Kelen Galvan
Da Redação, com ACI Digital


ACI Digital
Padre Carlos Simón com o Papa Bento XVI

O Sub-secretário do Pontifício Conselho para a Família, padre Carlos Simón, explicou que "não há nenhuma novidade" na postura do Papa Bento XVI sobre os preservativos, no novo livro-entrevista "Luz do Mundo" do jornalista alemão Peter Seewald, apresentado nesta terça-feira, 23, no Vaticano.

Em entrevista ao jornal espanhol La Razón, padre Simón, médico e sacerdote, recordou que o Santo Padre já explicou na sua viagem à África, em 2009, que a postura da Igreja sobre a luta contra a AIDS se fundamenta na promoção da abstinência e da fidelidade; e destacou que nas declarações do Papa a Seewald "não há nenhuma novidade".

"O Papa disse naquela viagem [à África] que na luta contra a AIDS a estratégia da Igreja era a abstinência, a fidelidade e a camisinha. As duas primeiras são formas de lutar contra a AIDS, como assinala o Papa, no contexto da educação e da não-banalização da sexualidade. Como última via escapatória está o preservativo, nos casos onde as outras duas opções não se puderam desenvolver", explicou.

Do mesmo modo, considerou que "deve-se distinguir quando o Pontífice diz algo de modo coloquial do que quando ele o faz de maneira pedagógica ou em uma expressão de toda sua autoridade, como em uma encíclica. Não há contradição neste assunto".

"O que concretamente disse o Papa neste livro é que nos casos em que nem a abstinência nem a fidelidade puderam ser seguidas - que é a via pela qual aposta a Igreja -, existe esta última opção. Uma pessoa pode fazer uso do preservativo de forma responsável para não contagiar nem produzir um mal que danifique a vida".

Preservativos e a Tradição moral da Igreja

Padre Simón sublinhou que as declarações do Papa entram dentro da tradição da teologia moral da Igreja. "Para esta, o ato sexual se entende dentro do contexto de uma relação conjugal. Aí é onde se aplica a moralidade. Todo ato fora do matrimônio a Igreja o rechaça como algo desordenadamente grave. Entramos, em um campo da saúde, trata-se de um terreno onde há um possível contágio".

O sacerdote esclareceu que o pecado é ter relações sexuais fora do matrimônio e "o preservativo então é um mal menor que evita um possível contágio. Nos casos onde não haja este perigo, [o uso de preservativos] é uma desfiguração de uma relação já alterada, porque não esqueçamos que se trata de um anticoncepcional".

Para a Igreja, explicou, "os atos sexuais devem acontecer entre dois cônjuges e, portanto, quando se realizam fora do matrimônio têm uma desordem intrínseca".

"O que o Papa disse é que em alguns casos - nos que há um risco seguro de contágio - então está justificado o preservativo. Vejo a novidade no aspecto terminológico, não na idéia nem no contexto. O Papa não revolucionou nenhum ensino da Igreja. Assinala que não se deve banalizar a sexualidade. No caso de onde já se produziu uma desordem - que para a Igreja é algo grave -, deve-se procurar que não haja um mal ainda mais intenso".

Padre Simón ressaltou que a Igreja não vai promover o uso do preservativo na luta contra a AIDS - quando a abstinência e a fidelidade falham. E recordou que "a Igreja segue o que o Papa diz quando afirma que se deve integrar a sexualidade na esfera do amor e da entrega. Bento XVI é um grande pensador e está preocupado em conseguir que haja uma harmonia no homem. A Igreja deve insistir nesta via, que é a mais difícil mas faz do homem um ser autêntico, não banal".

"A Igreja seguirá resistindo às pressões daqueles que pedem distribuição dos preservativos. Existem inúmeros dados científicos que assinalam que a receita da abstinência e da fidelidade e, só em terceiro lugar, o preservativo, conseguiram objetivos muito positivos na luta contra a AIDS", acrescentou.

Leia mais
.: Papa e camisinha: não há "mudança revolucionária", diz Vaticano
.: "O Papa está certo", diz autoridade mundial no combate à AIDS

Preservativo o q o papa Disse

* Preservativo: o QUE o papa disse, o que NÃO disse e o que SEMPRE disse.


Reinaldo Azevedo

“Concentrar-se apenas no preservativo equivale a banalizar a sexualidade, e é justamente esta banalização o motivo de tantas pessoas não enxergarem na sexualidade uma expressão do amor, e sim uma espécie de droga, que aplicam a si mesmas.”

“Pode haver certos casos em que o uso do preservativo se justifique, por exemplo, quando uma prostituta usa um profilático. Este pode ser o primeiro passo no sentido de uma moralização, um primeiro ato de responsabilidade, consciente de que nem tudo está perdido e não se pode fazer tudo aquilo que se deseja.”


As duas falas acima são do papa Bento 16 em entrevista ao escritor alemão Peter Seewald.O encontro deu origem a um livro: “A Luz do Mundo, O Papa, A Igreja e Os Sinais dos Tempos – Uma Conversa com Bento XVI”. O trecho sobre o uso da camisinha ganhou as manchetes do mundo inteiro porque seria

a) uma mudança de postura da Igreja;

b) um avanço que contribuiria para combater a disseminação da Aids.

Incrível! De algum modo, as duas leituras revelam má consciência em relação ao pensamento da Igreja. Cuidemos da suposta mudança de opinião do papa. Não aconteceu. Segue a mesma no que concerne à sexualidade, e não há hipótese, nem agora nem depois, de o chefe da Igreja “liberar” o uso da camisinha porque não lhe cabe. Ele não é autoridade em saúde pública ou membro de algum comitê de controle da natalidade. É o líder espiritual de uma Igreja e uma referência moral.

Ocorre que todo católico — sejamos mais amplos: todo cristão —, confrontado com o inevitável, tem um compromisso com o mal menor, SEM, NO ENTANTO, JAMAIS ABRIR MÃO, COMO FAZ O PAPA, DE DEFENDER O PRINCÍPIO E DENUNCIAR O DESVIO. Convenham: dada a situação concreta, esperavam que o papa dissesse o quê?

Disseminação da Aids

Vamos ao segundo aspecto: aquela que seria uma nova opinião da Igreja Católica contribuiria para diminuir a disseminação da doença. Isso só seria verdade caso se admitisse como fato que a suposta posição anterior contribuiria para espalhá-la. O uso da camisinha é um aspecto de uma doutrina maior que diz respeito ao amor e à sexualidade.Pode-se achar errado, contraproducente ou irrealista o pensamento da Igreja, mas não se deve tomar a parte pelo todo. É estúpido afirmar que a Igreja “é contra a camisinha”; esta é tomada apenas como um sinal do que ela considera a banalização do sexo. Mas ainda não se chegou ao essencial.

A camisinha é condenada como a evidência material de uma decisão que é de natureza moral. Para a Igreja, se há uma relação sexual amorosa, entre cônjuges, que convivem num clima de fidelidade e confiança, o preservativo não se explica. “Ah, mas isso também é polêmico!” Pode até ser, mas a polêmica é outra. É estúpido afirmar que a opinião da Igreja sobre a camisinha contribui para disseminar a Aids pela simples e óbvia razão de que, seguidas as suas recomendações, a transmissão do vírus pela via sexual seria zero. O que não é aceitável é que os indivíduos se esqueçam da Igreja ao ignorar a castidade antes do casamento e a fidelidade no matrimônio para argumentar que seguiram a sua recomendação só na hora de evitar a camisinha. Essa falácia lógica é repetida mundo afora por inimigos da Igreja e comprada pelo jornalismo sem questionamento.

Aids e África

Organizações ligadas ao combate à Aids na África saudaram a “mudança de opinião”. Huuummm… Curioso! Em muitos países do continente, a contaminação chega a atingir até 40% da população. Em Uganda, caiu para 7% — índice ainda escandaloso caso se considere a realidade mundial. E qual é a particularidade desse país? Um forte programa oficial que prega abstenção sexual aos solteiros e fidelidade aos casados. A camisinha é apenas o terceiro elemento na pregação oficial. Em suma, Uganda exerce aquela que seria, caso se lhe coubesse tal papel, o programa do Papa de combate à Aids. E o efeito é positivo. Contra os fatos e contra os números, a Human Rights Watch afirma que a política ungandense atenta contra os direitos humanos…

Edward Green é uma das maiores autoridades mundiais no estudo das formas de combate à expansão da AIDS. Ele é diretor do Projeto de Investigação e Prevenção da AIDS (APRP, na sigla em inglês), do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento de Harvard. O que ele diz? O PAPA ESTÁ CERTO. AS EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS CONFIRMAM O QUE DIZ SUA SANTIDADE. Ora, como pode o papa estar certo? Em entrevistasa concedidas no ano passado aos sites National Review Online (NRO) e Ilsussidiario.net, Green afirma que as evidências que existem apontam que a distribuição em massa de camisinha não é eficiente para reduzir a contaminação na África.

Na verdade, ao NRO, ele afirmou que não havia uma relação consistente entre tal política e a diminuição da contaminação. Ao Ilsuodiario, ele fala como cientista, como estudioso, não como religioso: “O que nós vemos de fato é uma associação entre o crescimento do uso da camisinha e um aumento da AIDS. Não sabemos todas as razões. Em parte, isso pode acontecer por causa do que chamamos ‘risco compensação” – literalmente, nas palavras dele ao NRO: “Quando alguém usa uma tecnologia de redução de risco, freqüentemente perde o benefício (dessa redução) correndo mais riscos do que aquele que não a usa”.

O papa, em última instância, está afirmando o óbvio: se o indivíduo DECIDIU ter uma relação de risco, é claro que ele deve se proteger. A Igreja não atua nessa área. Seu papel é buscar interferir nos mecanismos que o levam àquela decisão.

***

À PROPÓSITO,VEJA O QUE O JORNALISTA AUTOR DO LIVRO DECLAROU:

AFP

O jornalista alemão Peter Seewald, autor de um livro-entrevista com o Papa Bento XVI, qualificou de “penoso e ridículo” o enfoque dado pela mídia à questão do uso do preservativo, apesar “da amplidão dos temas abordados” na obra.

“Nosso livro aborda a sobrevivência do planeta ameaçado, o papa faz um apelo a toda a humanidade, nosso mundo desmorona, e a metade dos jornalistas não se interessa senão pela questão do preservativo”, lamentou Seewald durante entrevista à imprensa na apresentação, no Vaticano, do livro intitulado “Luz do Mundo”.

“Admitiu, no entanto, que o uso do preservativo se trata de uma “questão importante”.

Os jornalistas, europeus em maioria, vieram em massa para assistir à apresentação do livro, que já deu muito o que falar: a sala de imprensa do Vaticano estava lotada. Os dispositivos de tradução – Seewald só fala alemão – foram logo tomados por profissionais e chegaram a faltar.

“A vida de nosso planeta vai terminar e nós nos atemos à questão de saber se o preservativo é permitido pela Igreja”, insistiu o jornalista, que falou de “crise do jornalismo”.

Na obra, a pergunta: “a Igreja católica não é fundamentalmente contra a utilização de preservativos?”, o pontífice responde “em alguns casos, quando a intenção é reduzir o risco de contaminação, podendo ser um primeiro passo para abrir o caminho a uma sexualidade mais humana, vivida de outro modo”.

Bento XVI cita o caso de um prostituto, na versão alemã, e uma prostituta, na versão italiana.

A este respeito, o padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, confirmou que a versão italiana trazia um erro; “a versão de referência é a alemã”.

Mas, acrescentou, “quer se trate de homem, mulher, ou transexual, é a mesma coisa: a mensagem é a de que se deve evitar um risco grave à vida do outro, uma responsabilidade”.

O destaque dado ao preservativo, objeto de numerosas perguntas da imprensa, levou o cardeal Rino Fisichella, presidente do Conselho pontifical para a Nova Evangelização, afirmar que “os problemas morais não são condensados no preservativo: há questões morais dominantes como a bioética e a genética”.

Para Peter Seewald, o livro “tem qualquer coisa de novo: chegamos a conhecer pessoalmente este papa, vimos Bento XVI como ele é, sem falsas interpretações, e aprendemos sua maneira de abordar e de ver seu pontificado”.

“É um homem idoso, de 83 anos, fatigado, que tem uma tarefa muito pesada” mas “é autêntico e não mudou sua essência, sua personalidade” com a eleição, afirmou o autor, que já escreveu dois livros-entrevistas com o então cardeal Joseph Ratzinger antes de ele aceder ao papado.

Em sua opinião, o papa “não se apresenta como um ditador, um cardeal panzer” (uma abreviação de “Panzerkampfwagen”, um substantivo alemão que se traduz como “Veículo Blindado de Combate”). “É um homem do diálogo que não tem problema ante a questões cruciais ou críticas, um homem dotado de enorme força intelectual, genial, simples e muito piedoso”, acrescentou, considerando que “estas características maravilhosas de Joseph Ratzinger tornam-se manifestas, agora que é papa”.

“Não houve censura: na versão escrita, reproduzimos a linguagem oral e o papa forneceu algumas precisões”, explicou.

Para ele, “o livro tem por objetivo fazer um balanço du pontificado na metade do caminho” e “representa uma ajuda importante para melhor compreendê-lo”.

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PAPA LIBEROU PRESERVATIVO?

Nota de padre Lombardi acerca de declaração do Papa sobre camisinha

Rádio Vaticano, em italiano
(tradução de Leonardo Meira - equipe CN Notícias)


Arquivo / AP
O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, esclarece fala do Papa

No que diz respeito às interpretações dadas às palavras do Papa sobre a questão dos preservativos no livro entrevista de Peter Seewald, Luce del mondo. Il Papa, la Chiesa e i segni dei tempi (Luz do mundo. O Papa, a Igreja e os sinais dos tempos, em livre tradução), que será apresentado em coletiva na próxima terça-feira, 23, foi emitida uma nota pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi.


Confira a nota na íntegra

"Ao final do capítulo 10 do livro Luz do mundo, o Papa responde a duas questões acerca da luta contra a Aids e o uso do preservativo, questões que se vinculam a certas discussões seguidas a algumas palavras pronunciadas pelo Papa sobre o tema ao longo de sua viagem na África, em 2009.

O Papa rebate claramente que ele, naquela oportunidade, não tenha desejado tomar posição sobre o tema dos preservativos em geral, mas que desejou afirmar com força que o problema da Aids não pode ser resolvido somente com a distribuição de preservativos, porque é necessário fazer muito mais: prevenir, educar, ajudar, aconselhar, estar próximo às pessoas, tanto a fim de que não fiquem doentes quanto no caso das que já estão doentes.

O Papa observa que também no âmbito não eclesial desenvolveu-se uma consciência análoga, como aparece na assim chamada teoria Abc (Abstinence – Be Faithful – Condom | Abstinência - Ser fiel - Camisinha, em livre tradução), na qual os primeiros dois elementos (abstinência e fidelidade) são muito mais determinantes para a luta da Aids, enquanto o preservativo aparece em último lugar como escapatória, quando faltam os outros dois. Deve estar claro, então, que o preservativo não é a solução do problema.

O Papa amplia, em seguida, a visão e insiste sobre o fato de que se concentrar somente sobre o preservativo equivale a banalizar a sexualidade, que perde o seu significado como expressão de amor entre pessoas e torna-se como uma 'droga'. Lutar contra a banalização da sexualidade é 'parte do grande esforço para que a sexualidade seja valorizada positivamente e possa exercitar o seu efeito positivo sobre o ser humano na sua totalidade'.

À luz dessa visão ampla e profunda da sexualidade humana e da sua problemática atual, o Papa reafirma que 'naturalmente a Igreja não considera os preservativos como a solução autêntica e moral' do problema da Aids.

Com isso, o Papa não reforma ou transforma o ensinamento da Igreja, mas o reafirma colocando-se na perspectiva do valor e da dignidade da sexualidade humana como expressão de amor e responsabilidade.

Ao mesmo tempo, o Papa considera uma situação excepcional em que o exercício da sexualidade represente um verdadeiro risco para a vida do outro. Em tal caso, o Papa não justifica moralmente o exercício desordenado da sexualidade, mas considera que o uso do preservativo para diminuir o perigo de contágio seja 'um primeiro ato de responsabilidade', 'um primeiro passo no caminho rumo a uma sexualidade mais humana', muito mais que o não uso expondo o outro ao risco de vida.

Em si, o raciocínio do Papa não pode ser certamente definido como uma mudança revolucionária.

Numerosos teólogos morais e relevantes personalidades eclesiásticas sustentaram e sustentam posições análogas; é verdade, todavia, que não a tínhamos ainda escutado com tanta clareza da boca de um Papa, ainda que de uma forma coloquial e não magisterial.

Bento XVI dá-nos, portanto, com coragem, uma contribuição importante para esclarecer e aprofundar uma questão longamente debatida. É uma contribuição original porque, de um lado, mantém a fidelidade aos princípios morais e demonstra lucidez ao refutar uma via ilusória como a 'confiança no preservativo'; de outro, manifesta, no entanto, uma visão compreensiva e previdente, atenta a descobrir os pequenos passos - ainda que somente iniciais e ainda confusos - de uma humanidade espiritual e culturalmente muitas vezes paupérrima rumo a um exercício mais humano e responsável da sexualidade".

A IGREJA ESTÁ CERTA EM PROIBIR O PRESERVATIVO?

"O Papa está certo", diz autoridade mundial no combate à AIDS


Da Redação


Reprodução
Página do Dr. Edward Green, no site da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos

"Eu sou um liberal nas questões sociais e isso é difícil de admitir, mas o Papa está realmente certo. A maior evidência que mostramos é que camisinhas não funcionam como uma intervenção significativa para reduzir os índices de infecção por HIV na África."

Esta é a afirmação do médico e antropólogo Edward Green, uma das maiores autoridades mundiais no estudo das formas de combate à expansão da AIDS. Ele é diretor do Projeto de Investigação e Prevenção da AIDS (APRP, na sigla em inglês), do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Uma das instituições educacionais mais prestigiadas do mundo.

Na terça-feira, 17 de março, em entrevista concedida a jornalistas no avião papal rumo à África, Bento XVI afirmou que a AIDS não vai ser controlada somente com a distribuição de preservativos. Para o Pontífice, a solução é "humanizar a sexualidade com novos modos de comportamento". Por estas declarações, o Papa foi alvo de críticas.

Dr. Edward Green, com 30 anos de experiência na luta contra a AIDS, tratou do assunto no site National Review Online (NRO) e foi entrevistado no Ilsuodiario.net.

O estudioso aponta que a contaminação por HIV está em declínio em oito ou nove países africanos. E diz que em todos estes casos, as pessoas estão diminuindo a quantidade de parceiros sexuais. "Abstinência entre jovens é também um fator, obviamente. Se as pessoas começam a fazer sexo na idade adulta, elas terminam por ter menor número de parceiros durante a vida e diminuem as chances de infecção por HIV", explica.

Green também aponta que quando alguém usa uma tecnologia de redução de risco, como os preservativos, corre mais riscos do que aquele que não a usa. "O que nós vemos, de fato, é uma associação entre o crescimento do uso da camisinha e um aumento dos índices de infecção. Não sabemos todas as razões para isto. Em parte, isso pode acontecer por causa do que chamamos 'risco compensação'".

O médico também afirma que o chamado programa ABC (abstinência, fidelidade e camisinha – somente em último caso), que está em funcionamento em Uganda, mostra-se eficiente para diminuir a contaminação.

O governo de Uganda informa que conseguiu reduzir de 30% para 7% o percentual de contaminação por HIV com uma política de estímulo à abstinência sexual dos solteiros e à fidelidade entre os casados. O uso de camisinhas é defendido somente em último caso. No país, por exemplo, pôsteres incentivam os caminhoneiros - considerado um grupo de risco - a serem fiéis às suas esposas.

* Igreja “liberou” preservativo? Não! Veja o que o papa REALMENTE DISSE.

novembro 21st, 2010


Bento XVI  disse que preservativo é aceitável "em certos casos"

(a outra parte da notícia que não foi contada…)
Tendo em conta a habitual ignorância e má-fé da imprensa secular ao noticiar fatos relevantes da vida da Igreja, apresentamos abaixo a íntegra da resposta do Papa Bento XVI sobre o uso de preservativos, em outro livro-entrevista de Peter Seewald.

***

“Em África, Vossa Santidade afirmou que a doutrina tradicional da Igreja tinha revelado ser o caminho mais seguro para conter a propagação da SIDA/AIDS. Os críticos, provenientes também da Igreja, dizem, pelo contrário, que é uma loucura proibir a utilização de preservativos a uma população ameaçada pela SIDA/AIDS.”

«Em termos jornalísticos, a viagem a África foi totalmente ofuscada por uma única frase. Perguntaram-me porque é que, no domínio da SIDA/AIDS, a Igreja Católica assume uma posição irrealista e sem efeito – uma pergunta que considerei realmente provocatória, porque ela faz mais do que todos os outros. E mantenho o que disse. Faz mais porque é a única instituição que está muito próxima e muito concretamente junto das pessoas, agindo preventivamente, educando, ajudando, aconselhando, acompanhando. Faz mais porque trata como mais ninguém tantos doentes com sida e, em especial, crianças doentes com sida. Pude visitar uma dessas unidades hospitalares e falar com os doentes.

Essa foi a verdadeira resposta: a Igreja faz mais do que os outros porque não se limita a falar da tribuna que é o jornal, mas ajuda as irmãs e os irmãos no terreno. Não tinha, nesse contexto, dado a minha opinião em geral quanto à questão dos preservativos, mas apenas dito – e foi isso que provocou um grande escândalo – que não se pode resolver o problema com a distribuição de preservativos. É preciso fazer muito mais. Temos de estar próximos das pessoas, orientá-las, ajudá-las; e isso quer antes, quer depois de uma doença.

Efectivamente, acontece que, onde quer que alguém queira obter preservativos, eles existem. Só que isso, por si só, não resolve o assunto. Tem de se fazer mais.Desenvolveu-se entretanto, precisamente no domínio secular, a chamada teoria ABC, que defende “Abstinence – Be faithful – Condom” (“Abstinência – Fidelidade – Preservativo”), sendo que o preservativo só deve ser entendido como uma alternativa quando os outros dois não resultam. Ou seja, a mera fixação no preservativo significa uma banalização da sexualidade, e é precisamente esse o motivo perigoso pelo qual tantas pessoas já não encontram na sexualidade a expressão do seu amor, mas antes e apenas uma espécie de droga que administram a si próprias. É por isso que o combate contra a banalização da sexualidade também faz parte da luta para que ela seja valorizada positivamente e o seu efeito positivo se possa desenvolver no todo do ser pessoa.

Pode haver casos pontuais, justificados, como por exemplo a utilização do preservativo por um prostituto, em que a utilização do preservativo possa ser um primeiro passo para a moralização, uma primeira parcela de responsabilidade para voltar a desenvolver a consciência de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer. Não é, contudo, a forma apropriada para controlar o mal causado pela infecção por VIH/HIV. Essa tem, realmente, de residir na humanização da sexualidade.»

“Quer isso dizer que, em princípio, a Igreja Católica não é contra a utilização de preservativos?”

«É evidente que ela não a considera uma solução verdadeira e moral. Num ou noutro caso, embora seja utilizado para diminuir o risco de contágio, o preservativo pode ser um primeiro passo na direcção de uma sexualidade vivida de outro modo, mais humana.»

In Bento XVI, Luz do Mundo – O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos – Uma conversa com Peter Seewald, Lucerna, 2010

Papa e camisinha: não há "mudança revolucionária", diz Vaticano

Leonardo Meira
Da Redação, com Rádio Vaticano (em italiano - tradução de CN Notícias)


Montagem sobre fotos / Arquivo e AP
O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, esclarece fala de Bento XVI. Abaixo, capa do novo livro de entrevistas com o Papa
O Papa não provocou transformações radicais na doutrina católica com as declarações sobre o uso de preservativos, que fazem parte do livro-entrevista que recolhe as conversas com o jornalista e escritor alemão Peter Seewald.

Na obra Luce del mondo. Il Papa, la Chiesa e i segni dei tempi (Luz do mundo. O Papa, a Igreja e os sinais dos tempos, em livre tradução) - que será apresentada em coletiva nesta terça-feira, 23 -, o Pontífice explica que "pode haver casos individuais justificados" para o uso do preservativo, exemplificando com o caso da prostituta que recorre ao material.

"Esse pode ser o primeiro passo rumo a uma moralização, um primeiro ato de responsabilidade para desenvolver de novo a consciência do fato de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer. No entanto, essa não é a maneira verdadeira e adequada para vencer a infecção do HIV. É verdadeiramente necessária uma humanização da sexualidade", afirma o Papa no livro.

Acesse
.: Nota de padre Lombardi acerca de declaração do Papa sobre camisinha

.: Confira trechos do novo livro do Papa Bento XVI

A fala do Santo Padre provocou agitação em determinados setores, especialmente devido às interpretações feitas por alguns veículos de comunicação de que a declaração representaria um afrouxamento da doutrina católica nessa área.

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi, emitiu uma nota oficial em que precisa:

"O Papa reafirma que 'naturalmente a Igreja não considera os preservativos como a solução autêntica e moral' do problema da Aids. Com isso, não reforma ou transforma o ensinamento da Igreja, mas o reafirma colocando-se na perspectiva do valor e da dignidade da sexualidade humana como expressão de amor e responsabilidade".

No entanto, a visão ampla e profunda do Pontífice sobre a sexualidade humana também leva em consideração a situação excepcional em que o exercício da sexualidade represente um verdadeiro risco para a vida do outro.

"Em tal caso, o Papa não justifica moralmente o exercício desordenado da sexualidade, mas considera que o uso do preservativo para diminuir o perigo de contágio seja 'um primeiro ato de responsabilidade', 'um primeiro passo no caminho rumo a uma sexualidade mais humana', muito mais que o não uso expondo o outro ao risco de vida. Em si, o raciocínio do Papa não pode ser certamente definido como uma mudança revolucionária. Numerosos teólogos morais e relevantes personalidades eclesiásticas sustentaram e sustentam posições análogas; é verdade, todavia, que não a tínhamos ainda escutado com tanta clareza da boca de um Papa, ainda que de uma forma coloquial e não magisterial", complementa Lombardi.


Polêmica

O trecho que suscitou as polêmicas e interpretações equivocadas é este:

"A sexualidade

Concentrar-se somente no preservativo significa banalizar a sexualidade, e essa banalização é precisamente a perigosa razão pela qual tantas e tantas pessoas não veem na sexualidade mais a expressão do seu amor, mas apenas uma espécie de droga, que administram por si só. Por isso, também a luta contra a banalização da sexualidade é parte do grande esforço para que a sexualidade seja valorizada positivamente e possa exercer o seu efeito positivo sobre o ser humano em sua totalidade.

Pode haver casos individuais justificados, por exemplo, quando uma prostituta usa um preservativo, e esse pode ser o primeiro passo rumo a uma moralização, um primeiro ato de responsabilidade para desenvolver de novo a consciência do fato de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer. No entanto, essa não é a maneira verdadeira e adequada para vencer a infecção do HIV. É verdadeiramente necessária uma humanização da sexualidade".

Leia mais

.: Livro de entrevistas com Bento XVI será lançado até final do ano
.: "O Papa está certo", diz autoridade mundial no combate à AIDS